Marginal Alado (SPLIT)

by Oruã & Marianaa

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about

Split em homenagem ao conjunto santista Charlie Brown Jr.

credits

released October 5, 2018

Gravado no Escritório em setembro de 2018 em fita cassete
Oruã // Lê Almeida, Phill Fernandes e João Luiz
Marianaa // Bernardo Arenari, Danilo Nagib e David Dinucci

Masterizado por João Casaes
Desenho da capa por João Luiz


Em memória de Alexandre Magno Abrão (1970 / 2013)

TNR.098

our
NOISE
full

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Texto publicado em database.fm/chorao

Em agosto de 2018, o trio carioca Oruã partiu para mais uma turnê que passou por capitais e improváveis cidades do interior do Brasil. Há muitos anos, Lê Almeida planejava regravar Só Por uma Noite, e, após escutar e conversar sobre Charlie Brown Jr. durante essas viagens de carro, ficou claro que havia chegado o momento. Paralelamente, a marianaa tentava incluir um cover dos santistas no repertório de seus shows. Eles chegaram a testar Lugar ao Sol e Só Por Uma Noite, mas ficavam incomodados com certos trechos das letras, até que David Dinnuci puxou uma versão mais cadenciada de Tudo Pro Alto e a mágica aconteceu.

No final daquele mês, as duas bandas dividiram o mesmo palco em Campos dos Goytacazes, cidade do norte fluminense. Durante a passagem de som, os anfitriões marianaa tocaram um cover do Guns and Roses e o assunto rendeu, passou por Can, que recentemente foi revisitado numa releitura de Mother Sky lançada pelo Oruã, e chegou à Família Charlie Brown. Naquele 31 de agosto, planejaram um split em homenagem ao ídolo Chorão. Em setembro, aproveitando a passagem da mari pelo Rio, as faixas foram gravadas em fita K7 no escritório, com produção do Lê Almeida, seguindo a fórmula dos últimos lançamentos da Transfusão Noise Records.

O database usou o whatapp para saber um pouco sobre a relação que cada integrante tem com o Charlie Brown. No total, a palavra “jovem” apareceu 25 vezes durante as entrevistas; em média, uma vez a cada 30 segundos de áudio. Confira as essas histórias nos parágrafos a seguir:

Transpiração Contínua Prolongada era um dos 5 CDs que Lê Almeida tinha no início da adolescência, junto com In Utero, O Descobrimento do Brasil e outros que ele escutava na casa da avó, onde ficava o único cd player da família. Com o tempo, foi curtindo Charlie Brown cada vez menos, mas sempre admirou a capacidade de emplacar hits em cada disco. Hoje, aos 34 anos, Lê tem outra perspectiva: “Olhando pra trás, eu consigo gostar até mais da banda, e entendo a posição de se manter em atividade (…) E aquele soco na cara foi muito marcante, positivamente”.

João Luiz, de 20 anos, é o caçula da Transfusão. Até pouco tempo, o baixista conhecia apenas Só os Loucos Sabem e “aquela abertura da Malhação”, dois bons motivos para não se interessar pelos santistas. Numa viagem para São Paulo, Joãzin escutou Céu Azul e ficou mais receptivo: “Achei a melodia muito boa. Nesse mesmo momento, uma amiga que estava no carro começou a reclamar o quanto era zoado. Então entendi como pra algumas pessoas a banda é mega importante e pra outras será eternamente os caras que tocavam na Malhação.”

Hoje com 26 anos, o baterista Phill Fernandes começou a ouvir Charlie Brown aos 12, por influência dos primos, das rádios e do Disk MTV, mantendo o interesse até a fase do Acústico MTV, de 2003. Após sair de uma big band neopentecostal, Phill virou baixista de uma banda cover que tocava Céu Azul, Te Levar e Gimme o Anel. Nas viagens do Oruã, ele se reconectou com os hits do Chorão: “Nas viagens não podem faltar várias do Charlie Brown. Também rola umas bandas que foram referências pra eles, umas misturas de rock e rap dos anos 80 que eu tô conhecendo agora.”
marianaa

Danilo Nagib, de 26 anos, escutou muito quando era moleque, época em que tentava andar de skate em Rio das Ostras. O guitarrista teve bandas que faziam cover do Charlie Brown e foi a dois shows, um na turnê do Acústico MTV e outro em 2010. “Eu não tinha porque ser rebelde, e o Chorão me deu motivo. Foi minha primeira influência como jovem (doido).”

Bernardo Arenari, de 28 anos, não tinha computador, então visitava um amigo da escola para ouvir o CD Abalando Sua Fábrica. Depois, ganhou o Acústico MTV e acha que sabe cantar as músicas até hoje. Seu momento de maior proximidade com o Chorão foi num show em que arriscou sua vida para tentar pegar a toalha arremessado pelo vocalista. “Tem coisa boa e muita coisa ruim, principalmente depois que reformou a banda, ficou repetitivo (…) É uma banda importante e relevante pra sempre, marcou época.”

David Dinnuci nunca foi muito fã, mas, por falta de opção, ouvia bastante pela rádio e pela TV. Aos 30 anos, o guitarrista assume o vocal de Joga Tudo Pro Alto: “Foi tudo meio intuitivamente, porque no banco de dados da minha cabeça a música tava ali. É um cover que me senti confortável pra interpretar, porque diz muito sobre mim. Acho que tem tudo a ver comigo, com o espírito jovem que eu tive, compartilhei e ainda tenho um pouco hoje (…) A gente até tentou tocar outras, mas a letra em algum momento ficava confusa. Parece que só dá pra fazer cover do Charlie Brown se for 100% sincero.”

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Oruã Rio De Janeiro, Brazil

Conjunto Oruã dedicado a experimentos em cassete, shows ritualísticos e colagens

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